Quem faz o London Burning Revista eletrônica criada pelos jornalistas Luciano Vianna e Valeria Rossi

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Experimentalismo num cd despretensioso e visionário

por Lúcio K


"Inrotulável", predominantemente eletrônica e easy-listening muita influência brasileira, principalmente de bossa nova. O encarte é igualmente curioso, sem muitas informações mas bem descontraído. Me perguntei o porquê daquele cd tão interessante e atual ser tão pouco divulgado, e decidi que ia correr atrás do contato do Flu para fazer uma entrevista, saber mais sobre o projeto e divulgar tudo isso o quanto eu puder... me cedeu uma entrevista na maior boa vontade, em seu estilo "totalmente-de-bem-com-a-vida"... - Como surgiu o nome flu para o projeto?

FLU - É um apelido que surgiu de minha irmã mais moça e virou um apelido de casa. As namoradas também me chamavam de Flu. Hoje todos me chamam de FLU!

Podia falar resumidamente da sua trajetória como músico, até chegar no seu cd próprio?

FLU - Antes, bem jovem, eu cantei com meus irmãos em festinhas e programas de TV. A primeira banda se chamava Taranatiriça. Era a banda do Gordo Miranda que me chamou para tocar baixo. Depois teve Urubu Rei e Athaualpa y os Panquis também com o Miranda. Toquei também na banda do Julio Reny junto com o Castor. Daí fomos convidados para entrar no Defalla. Fiquei no Defalla durante quase 12 anos. Lançamos 6 discos nesse período, inclusive um sem o Edu K com o nome D.Fhala. O vocalista era o Tonho Crocco da Ultramen. Nesse período eu e o Fornazier já tinhamos um home estúdio onde estávamos engatinhando na gravação direto no computador. Em 98 quando finalmente me desvinculei totalmente do Defalla, comecei a fazer músicas e mais músicas. Mandava todas para o Miranda que já estava na Trama. Em 99 selecionamos 14 entre 30 ou mais e lançamos o CD ...e a alegria continua.

A impressão que se tem ao ouvir o cd é que vc é um ótimo músico que um dia "pirou" e resolveu produzir sozinho, para dar vazão a seu estilo próprio... é por aí?

FLU - Pra começar eu nunca me considerei músico. Músico eu acho que é um cara que entende de notas musicais. Não é o meu caso. Quanto a "pirar" e produzir tudo sozinho, tu tens razão. Foi exatamente o que aconteceu. Comecei a ouvir vinis antigos e ver como a música brasileira era boa. Na época que eu tava no Defalla a MPB tava muito ruim e eu fui esquecendo daquelas coisas boas que escutava nos anos 70. Essa pesquisa nos vinis me mostrou como a MPB era mais solta e descompromissada com fórmulas. Antes das FMs as músicas não eram quadradas. Tinha bastante improviso e experimentalismmo. Os timbres dos instrumentos eram mais secos e na cara. Daí comecei a trabalhar com esse pensamento e as músicas foram rolando. Teve uma semana que fiz 5 músicas em 5 dias. Na época eu achei que tava ficando louco e seria assim o resto da vida. Hoje eu tô bem mais calmo. Iac,iac,iac...

Vc se considera um produtor alternativo? Como vc mesmo vê o seu CD? Como vc denominaria seu estilo?

FLU - Meu CD, como muitos outros, é uma alternativa de se ouvir algo que divirta, ao mesmo tempo que tenta abrir cabeças. As pessoas estão querendo achar nomes e fórmulas para a música. Eu acho que música é muito maior que isso. Para mim música tem que passar sentimento e sinceridade.

Quais as suas influências, no flu? O que lhe inspirou para chegar nesse formato de música?

FLU - Eu componho sempre sem referência. Tem vezes que eu começava uma música querendo fazer um chorinho e acabava em bossa. Eu vou indo indo com a maré. Eu prefiro não travar quando não tá acontecendo o que eu planejava!!! Influência que mais tem dos modernos é Cornelius. O tipo de composição e mixagem. Eu acho ele mestre. Mas queria acrescentar que as mulheres são a minha maior inspiração.

O que vc tem ouvido e gostado ultimamente?

FLU - Tenho ouvido bastante coisa aqui do sul: Ultramen, Bidê ou Balde, Groove James, Les Johnson, R.San, MC Bangu, Fodasko Man. Muitos deles tu pode ouvir no www.mp3.com. Gosto muito do Mundo Livre, Otto, Nação Zumbi, pessoal do Recife.

Cite alguns cd's indispensáveis pra vc, e por que.

FLU - Todos os Beatles (não preciso dizer por que) Black Sabbath (por ser extremamente visceral) Jimi Hendrix (mestre dos mestres) Stones (pela vagabundagem) Led Zeppelin (por entrarem em caminhos obscuros) Pink Floyd com Syd Barret (pela loucura) No Brasil eu prefiro falar de movimentos e épocas. Bossa Nova (o Brasil para o mundo) Tropicália (O LSD começou a bater legal na cabeça dos loucos) Pilantragem (diversão para combater a ditadura) Tim Maia e Jorge Ben (por inventarem uma linguagem brasileira para o soul e funk) Roberto Carlos (nosso rei até o disco de 73) Tom Zé (por nunca ter se entregado prus Homi) Elis Regina (voz visceral acima de qualquer técnica) Chico Science e Fred 04 (por mostrar que a MPB pode ser boa ainda) Jupiter Apple (por mostrar que a pessoa ainda pode ser louca) Gosto muito também dessa geração que tá colocaando novos rumos para o pop como Cornelius, Money Mark, Beck, High LLamas, Pizzicato Five e toda a turma deles...

O disco saiu no final de 99, certo? E o site (www.flubrasil.com.br)? Qual o retorno que vc tem tido desde então?

FLU - Comecei a montar uma banda um mes antes do lançamento aqui em Porto Alegre. Minha idéia sempre foi de fazer um show quente, com bastante percussão. Como eu não gosto muito de ensaiar eu dei um CD pra cada um da banda e nos reunimos umas 4 vezes. O show tava legal e fizemos várias apresentações por aqui e em São Paulo. Hoje tô tocando guitarra e praticamente não uso mais bases eletrônicas no show. Tá muito mais rock e psicodelismo. O site eu fiz com meu amigo Ricardo Kudla e ainda não foi muito divulgado. Tenho que fazer um "upgrade" nele logo, logo. Quanto ao CD, as pessoas que ouvem e compram gostam muito. Mas ele é fora de qualquer padrão de estilo radiofônico ou comercial, por isso ele não tem uma vendagem boa. Eu tenho muitos amigos no exterior que mostram para os gringos e eles ficam louco. Acho que vou ter que divulgar o CD lá fora para as pessoas saberem que eu existo.

Quais os planos daqui pra frente, para o Flávio e o Flu?

FLU - Eu não separo o Flávio do Flu. Eu e o Fornazier temos um estúdio que faz produção de áudio www.deffreclame.com.br Fazemos bastante trilha pra cinema também. O filme Tolerância tem trilha incidental nossa e participação de várias bandas gaúchas. Vou levar a banda e ficar uma semana gravando coisas bem soltas. Daí volta pra cá e monto as músicas.
Dizem que o show de vcs segue uma linha mais "psicodélica"... Nesse começo de ano vcs têm algum show marcado para Rio ou SP?

FLU - Não que eu saiba. Tem um evento que acontece durante o caranaval que o Totonho Cabra queria nos colocar. Tenho um show dia 20 de fevereiro aqui em Porto na sacada da usina do gasômetro que é um lugar bem legal.

Agora uma mensagem final do Flu para o mundo:

FLU - Ouçam músicas com ouvidos e cabeça solta. Não sejam influenciados nem influenciáveis. Fazer música pode ser bem melhor se a pessoa não pensar em estilo.

*** Urls para comprar o CD do FLU : www.submarino.com.br, www.somlivre.com.br, www.amazon.com www.cdnow.com Em breve a Trama vai estar vendendo pelo site www.trama.com.br luciok@fimdamente.org é DJ alternativo e produtor musical





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