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Revista eletrônica criada pelos jornalistas Luciano Vianna e Valeria Rossi |
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Your pussy is glued to a
building on fire
::: LEAVING JUST IN TIME ::: Sabe o que é uma coisa legal? Sair fora. Parece uma redundância horrorosa (onde já se viu sair dentro?), mas é algo que todo mundo precisa às vezes. Como eu sou adepta do parcelamento, vim para Londres, mas se não desse iria para Maringá, Guaratinguetá, Porto Alegre, qualquer lugar do Brasil que fique longe de tudo que estou acostumada. Abrir janelas pra ventilar, fazer circular o ar e fugir da cena indie que me dá no saco. Morei a vida inteira em Porto Alegre, com exceção de algumas escapadas para o Rio por causa da minha família mambembe e para São Paulo por causa de homem. Quando finalmente mudei para a capital financeira do país, depois de passar meses mais tempo lá do que em casa, notei algo que não existia na minha pequena cidade provinciana do sul: a cena indie. Começando que eu achava que só discos e gravadoras e bandas eram indies, não pessoas. Mas são. E existe a cena, com banquinhas e demos e zines ruins e zines bons e zines excelentes (se bem que os melhores não estão em cena nenhuma, simplesmente são, como Jazzmo). Até aí, tudo lindo e maravilhoso. Mas tem a fofoca. Os boatos da cena indie. Já me transformaram em namorada e correspondente de meio mundo. Quem inventa essas coisas? Por que diabos as pessoas se importam com a vida alheia ao invés de tornarem as suas próprias interessantes? Sim, porque a vida do cara tem que ser muito chata para que ele se dê o trabalho de falar da vida alheia. Pelo amor de deus, vão viajar, vão trepar, se apaixonem por uma pessoa ou uma banda, mas deixem a vida alheia em paz. Ou então vão escrever em uma revista de fofoca e transformar esse hobby doentio em dinheiro. No começo isso me incomodava muito, mas agora só acho um pouco triste e queria dividir. Vão ouvir música que era sobre isso que a cena devia falar. Ficar longe me faz ver o quão pequeno e provinciano e deprimente pode ser um grupelho de pessoas. Agora estou em Londres, no quarto 230 do hotel Generator, cheio de jovenzinhos do mundo todo. Dormi o dia inteiro. Não vai aproveitar, Clarah? Mas estou aproveitando, oras. Estou escrevendo, o que pode ser melhor? Ver o Big Ben? Pra quê? É só um relógio. Legal mesmo foi me perder ontem sem dinheiro pra pegar metrô nem ônibus e caminhar pra caralho e me enfiar em becos que me fizeram pensar "wooooow, isso é Londres". Porque Londres é isso, beco, ruela, negão que passou em King's Cross com a gangue e me deu um tapa na bunda e eu até ri porque foi filme demais, é essa neurose deles com incêndio que até entende-se porque as casas são grudadas e de madeira e se uma pega fogo o quarteirão inteiro vai junto e essa chuvinha gelada e londrina que toco mundo conhece mesmo sem ver. Que cidade foda. Minha Anne vem morar ali do lado e vou morrer sem ela e quero morar aqui um tempo e depois vou pra Los Angeles que preciso conhecer porque tem o Frusciante o Bob Forrest e a casa em Y do John Fante e Bunker Hill e o filho do Fante que é tão genial quanto ele e depois eu vou pra New York que é onde me sinto em casa e quero morar desde os dezesseis anos e estudar cinema. Agora nem sei se quero mais estudar cinema. Sei que quero estudar em NY ou London ou qualquer lugar porque eu me recuso a fazer faculdade só pra ter o idiota do diploma de Jornalista. Só consigo estudar por objetivos mais nobres do que um pedaço de papel. Mas quer saber? Tava lembrando de um texto que escrevi lá pelos onze, doze anos e que traçava meu plano de vida. Naquela época eu estava entre as fases de querer ser o Mike Patton e o Rachel Bolan e aprendendo a tocar baixo e tinha decidido que no máximo aos 18 anos já seria rockstar. Já tenho 22 e nada. Está na hora de botar os antigos planos em prática. Banda, quero banda. Vocalista procura banda. Alô, bandas. Me ouçam em www.jazzieandthepussycats.showz.com.br e www.dirtyhippies.showz.com.br. Preciso tocar. Rock. Quero ró-que. O ideal seria uma banda com meus melhores amigos, mas eles não colaboram, então vamos deixar a utopia de lado um pouquinho e ralar. Quero tocar. Agora. Mas não sozinha porque não tem a menor graça. Já disse que perdi o vôo? Pois perdi e acabo de descobrir que vou ter que pagar muito dinheiro de multa. E eu não tenho muito dinheiro. Pra falar a verdade, nem pouco. Como tudo que posso no café da manhã do hotel - basicamente pão, geléia, manteiga, cereal e leite e café e chá - e passo o resto do dia caminhando pela cidade e procurando moedas nos telefones. De noite, no bar, os turistas ficam todos bêbados e libidinosos uns pra cima dos outros e esquecem seus drinks nas mesas e vão comprar outros e eu fico bebendo restos quase inteiros de coisas doces e coloridas. Nem preciso de dinheiro mesmo. Tenho meus cds, meu notebuck©, meu pacote de 208 Marlboros e meu inglês com sotaque americano. Estou em Londres, damnit. Acho que vou ali ligar para uma tal de Ksana que disse ter um easy job que paga 275 libras por semana. Daí eu sou deportada e não preciso pagar muito dinheiro de multa. Oh well, vou caminhar. ESCLARECIMENTO Olá, eu sou a Clarah e escrevo sobre a minha vida e o que acho das coisas, especialmente música, literatura e cinema. Nesta coluna você não vai encontrar jornalismo chato, fofoca indie ou banda ruim. Se me escrever reclamando e sendo mala, vai receber uma resposta padrão da Equipe Clarah Averbuck. Se você reclamar com argumentos, vou virar sua amiga. Não pretendo criar hype, ditar regra, rotular gente ou polemizar. Escrevo e pronto. A coisa mais simples pra quem não gosta é me ignorar tacitamente. Parece óbvio, mas é sempre bom lembrar. Agradeço com mesuras. FALE MAL DE MIM -- em homenagem à cena Você fica irritado comigo Só porque você me acha mais bonito que você Você já fica todo nervoso Quando te dizem que eu sou mais talentoso que você Sua vida anda mesma sem graça Pois a única saída que você acha é me difamar Isso até que veio bem a calhar Eu estava precisando de alguém para me divulgar Fale mal de mim Fale o que quiser de mim Mas por favor não deixe que em nenhum momento Eu deixe de estar no seu pensamento Fale mal de mim Fale o que quiser de mim Porque todo mundo que te conhece Sabe que é isso que você merece Minha reputação continua intacta Apesar de todas essas historinhas que você inventou E se ávida pra você é uma disputa Lembre-se também que pra todo jogo há um perdedo-oooooooooor Fale mal de mim Fale o que quiser de mim Mas por favor não deixe que em nenhum momento Eu deixe de estar no seu pensamento Fale mal de mim Fale o que quiser de mim Porque todo mundo que te conhece Sabe que é isso que você merece Você sabe que eu vencerei Que eu triunfarei Isso incomoda você Isso irrita você Sabe que eu vencerei Que eu triunfarei Isso incomoda você Isso vai matar você Sabe que eu vencerei Que eu triunfarei Isso incomoda você Isso irrita você Sabe que eu vencerei Que eu triunfarei Isso incomoda você Isso vai matar você... TRILHA Dead Blonde Girlfriend Banda de folk pop do roadie dos Moldy Peaches. Bacana. Atenção, patrulha. Falei que algo era bacana. Ba-ca-na. Primeira vez que escrevo isso na vida. Aliás, primeira vez que uso este adjetivo. Acho que as únicas vezes que pronunciei isso foi me referindo ao Jonas Torres, Bacana do Armação Ilimitada. Eu era apaixonada por ele. Gracinha. Pena que cresceu. Thelonious Monster - Beautiful Mess Conhece? Não? Vai ouvir "Adios Lounge", dueto de Bob Forrest e Tom Waits e depois a gente conversa. Bob Forrest é um dos caras mais talentosos do mundo. Sua nova banda, The Bicycle Thief, deveria fazer um puta sucesso, mas não rola, não entendo. Isso me cheira a autosabotagem. Stone Temple Pilots - Shangri La Dee Da Sempre adorei esses caras, mas agora eles se superaram e me fizeram chorar com "Hello It's Late". Tá certo que me fazer chorar não é nenhum grande mérito porque eu sou uma manteiga, mas independente disso, é um puta disco. Baladinhas, peso e hits na medida certa. E parece que o Scott largou as drogas mesmo. The Strokes - Is This It Já falei demais deles. Vai ouvir. Passa. Cs-cs! |
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