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Janeiro 2001  
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Volume

por Alexandre Petillo




O Brasil é o quinto maior mercado de música do mundo. No entanto com o fim da Bizz, não existe nenhuma publicação que atenda esse mercado, blá, bká, blá. Tá, nós admitimos, quando elaboramos essa revista, também estávamos de olho nesse vácuo deixado pela saudosa Bizz - que durante 15 anos foi leitura obrigatória para quase todo mundo que escreve sobre música.

Mas mesmo que ainda existisse a Bizz, ou se existissem outras 100 publicações especializadas em música e cultura pop no país, a Zero também existiria. Diferente de tudo que existe atualmente nas bancas de jornais, a Zero é uma revista feita por apaixonados por cultura, gente acostumada a torrar 80% do salário com discos, filmes e livros.

Para esse público - que esgotou os ingressos do último Free Jazz, formou filas para assistir "Harry Potter", "O Senhor dos Anéis" e "Vanilla Sky" - o mercado editorial é ridículo. Todas as revistas e cadernos culturais brasileiros resolveram seguir a cartilha ditada pelas assessorias de imprensa. Dificilmente pode ser encontrada, em alguma publicação, uma matéria cultural escrita depois de um profundo trabalho de reportagem. As matérias mais parecem bulas de remédio, tamanha a assepsia. Podemos estar errado, mas parece que esses profissionais não conseguem produzir algo além do que aprenderam nas salas de aula da faculdade e escolheram o jornalismo cultural como a maneira mais rápida e fácil de se manter na carreira.

Tsc, tsc. Com a benção de Lester Bangs (que, inclusive, empresta o nome à nossa editora), o maior crítico musical de todos os tempos, a intenção da Zero é deixar de lado a imparcialidade jornalística e escrever com o coração. Para nós, aqui da redação, intensa emoção é o primeiro critério para se julgar música. Esse critério, é o último em todos os outros lugares. As matérias são escritas com sangue, coração, nervos, glândulas, fluídos sexuais, suor: todo o corpo. Porque não dá para ser impávido enquanto ouve o primeiro disco do Clash.

Como definir a Zero? Um encontro do melhor dos finados Melody Maker e Notícias Populares - dois dos maiores veículos da história do jornalismo mundial, assassinados em 2000. Música como paixão e as melhores histórias da nossa cultura pop, popularescos demais para a "alta cultura", mas totalmente rock para a gente.

Um exemplo da diversidade da Zero: para que não sucumbamos a seguir a cartilha ditadas pelas assessorias, é proibido, na redação, receber discos grátis de gravadoras. Assim, fica mais fácil escrever com paixão, sem crescer o olho alegram nossos distintos colegas.

Loucura? Maluquice? Pode ser. Mas a Rolling Stone também começou como uma revista independente, com um capital de apenas US$ 5 mil. E a Tia Mimi também achava que John Lennon nunca ia conseguir alguma coisa na vida com seu violão.

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Acima, está a carta de intenções da Zero, a nova revista de música e cultura pop do Brasil. Trata-se de um projeto elaborado por este que vos escreve, junto com jornalistas conceituados, da estirpe de Luiz César Pimentel, Marcelo Silva Costa, Abonico R. Smith, com projeto gráfico de Daniel Motta.

Assinam colunas de opinião, gente como Cecília Giannetti, Fernando "Senhor F" Rosa, André "Velvet" Fiori e Alexandre Dias, direto de Los Angeles, fala de Hollywood.

Já está pronto o número 0, que traz na capa, Paulo Ricardo travestido de Che Guevara, anunciando novas revoluções. Dentro, ascensão e queda do RPM; a volta de Fellini e Picassos Falsos; tudo sobre o novo disco do Wilco; Ira!; a maldição das boy bandas brasileiras e resenhas dos principais discos lançados nos últimos meses. Pode ser a nossa maior loucura, mas viemos pra ficar. Torçam por nós.

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Mesmo sem ter lido a revista, alguns "intelectuais" que costumam ficar se masturbando em uma deplorável lista de discussão, já mandaram as suas críticas. Esquecem que é um espaço para eles mesmo, publicarem alguma coisa. Ah, esqueci, esses caras gostam mesmo de ficar falando baboseira em listas, não conseguem produzir nada. Desculpa aí.

*

Já no quesito "grande imprensa", alguns jornalistas famosos na cena indie brasileira não demonstraram o seu apoio, ofendidos com a quantidade de rock nacional abordado nas páginas da Zero. Um, se recusou a divulgar a capa em sua coluna na internet. Outro, nem respondeu o nosso e-mail. Depois reclamam da falta de assunto. Será que o NME não está chegando mais no Brasil?

*

Bem, o assunto Zero ainda está começando, coloco a cobertura completa do lançamento na próxima coluna.

*

Sei que o ápice do verão já passou, mas Volume gostaria de deixar uma seleção de discos perfeitos para se ouvir torrando no sol:

(sem ordem de preferência)

Paul Westerberg - 14 Songs
Replacements - Pleased To Meet Me
Teenage Fanclub - Grand Prix
Elton John - Madman Across The Water
Ramones - Leave Home
Gueto - Estação Primeira
Motorhead - No Remorse
Jorge Ben - A Tábua da Esmeralda
Qualquer um do Stray Cats
Léo Jaime - Sessão da Tarde
Paralamas do Sucesso - Cinema Mudo
Al Green - Let´s Stay Together
Aretha Franklin - I Never Loved A Man The Way I Love You
Wilco - AM
The Posies - Success

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Outra dica: quem não dançou forró de rostinho colado na Praia Vermelha, em Ubatuba, até o sol nascer, não viveu. Corre que ainda dá tempo.

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"Talvez, quando nós terminarmos isso, não seja necessário separar o palhaço do poeta. Porque, de fato, eles estão intrinsecamente unidos. Não precisamos nos preocupar em ser sérios, ou bons homens da literatura. Não precisaremos ler sobre as crianças dionisíacas. Nós temos todas essas canções sensacionais e todos esses discos fantásticos de rock. E muitos outros que estão por vir".

Lester Bangs, o maior crítico musical de todos os tempos, e inspirador-mor da Zero.

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