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O London Burning não forma opinião. É A OPINIÃO. Desde 1998 |
Editor-Executivo |
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| Agosto 2002 | ||||||||||
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Gênio da raça
F r a n k J o r g e é uma figuraça querida e talentosa. Durante anos fez parte do Graforréia Xilarmônica e hoje continua compondo em sua carreira solo. Lançou pela editora Sagra Luzzatto o livro "Crocâncias Inéditas", que tem distribuição nacional. O livro é uma coletânea de poemas ou textos em rimas. Com graça, Frank Jorge retrata seu cotidiano peneirando palavras e influências. Conversamos com o gaúcho por email em uma entrevista simpática, falamos de música, literatura, bairrismo e projetos, deste homem que parece não parar. LB - Recebemos "Crocâncias Inéditas" e ficamos curiosos para saber como é o Frank Jorge escritor. Depois de ler o livro, percebemos que se trata de um apanhado de desabafos que poderiam ter sido escritos em guardanapos de bar ou em um caderno à tira-colo. Como você nos apresenta este livro? Frank Jorge: Realmente exercitei muito este lance de "gostar de escrever e qualquer hora é hora, qualquer lugar é lugar", enfim... já escrevi numa agendinha de bolso em pleno serviço de guarda quando estava no quartel, já escrevi muito no verso de rótulos de cerveja, já escrevi coisas que adorei e perdi pelo caminho. Só regrei esta atividade quando comecei a escrever crônicas pra Rádio Ipanema por incentivo da Kátia Suman. Esta mesma radialista/amiga, pouco depois, criou o Sarau Elétrico que comemorou três anos dia 17 de julho. Boa parte dos textos deste livro e do anterior, escrevi pensando no efeito da leitura, a velha tradição da "oralidade", ou seja, são compilações que produzi para ler neste sarau. O mais importante: não tem pretensões literárias MESMO. Esta foi a melhor desculpa que arranjei para justificar o verdadeiro "desnível" na qualidade dos textos. Posso até dizer que criei uma estranha armadilha porque muitas vezes mantenho a idéia de um texto que imagino estar horrível, vou lê-lo numa espécie de exercício de cara de pau e para minha surpresa, as pessoas acabam gostando do que pré-julguei inferior. Crocâncias Inéditas tem desabafo, mas principalmente, ironias a respeito de tudo o que estamos vivendo. LB - Qual é sua relação com Porto Alegre? Não há um certo bairrismo em alguns textos? Amor e ódio. Escrevi raros textos enaltecendo a cidade. Agora... tive verdadeiras fases de achar que aqui as coisas eram difíceis e não rolavam muito. Principalmente na área artística. Precisei me acalmar e perceber belezas múltiplas neste pampa imenso que é o Rio Grande. Concretizei coisas como cds que gravei com várias bandas, livros, textos e músicas enfim espalhados por aí. Atualmente trabalho na TVE-RS como roteirista/produtor/apresentador, participo semanalmente do Sarau Elétrico, finalizo um terceiro cd solo e dou o start no primeiro livro de contos ainda para este ano. O lance do bairrismo é um tabu bem interessante. Aprendi muito cedo a rir de mim mesmo, auto-avacalhar-me para depois imaginar valorizações e sabe-se lá que outras formas de se ver. Quem está longe daqui não consegue entender algumas eventuais brincadeiras com a nossa cultura, nosso jeito de ser. Fatalmente não entenderá outras razões de citar de maneira "jocosa" situações e aspectos culturais de outros estados. Curiosamente tornei-me uma referência gaúcha de compositor e fiquei feliz com amigos que gravaram músicas minhas: Pato Fu (MG), Ira!(SP), Tony Platão(RJ). Talvez, examinando mais de perto o tom universal de alguns textos/letras encontraremos respostas que tornem mais visível o quanto "não sou bairrista" PELAMORDEDEUS. Mas isto rende uma entrevista exclusiva: O gaúcho. Este estranho ser de um planeta meridional. Falando sério, vejo com a maior simpatia do mundo a idéia de morar - em ordem de preferência - nas seguintes cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, ou ainda, também, isolar-me num rincão bem longínquo deste Rio Grande. * Falamos com frequência este lance de "Rio Grande" porque gostamos sim desta terra. Creio que os aspectos menos encantadores da realidade urbana de qualquer capital ou grande cidade do país, fez com que as pessoas parassem de se dirigir verbalmente com mais poesia ao lugar em que habitam. LB - Você se considera Multimídia? Pode falar de seus projetos, qual sua mídia preferida? Multidisciplinar é melhor. Reforço o que escrevi acima: Atualmente trabalho na TVE-RS como roteirista/produtor/apresentador de um programa diário ao vivo chamado Radar, participo semanalmente do Sarau Elétrico lendo sempre textos inéditos, finalizo um terceiro cd solo que já ganhou arranjos de sopro do Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante dos Los Hermanos e também uma participação do Pato Fu noutra faixa e dou o start no primeiro livro de contos onde imagino desenvolver muitas narrativas curtas. LB - Qual sua opinião à respeito dos Publicitários? E à respeito do publicitários gaúchos, citados diversas vezes no livro? Mera pegação. Não tenho nada contra MESMO. Creio que a publicidade foi um dos segmentos que mais cresceu nos últimos tempos e gerou a possibilidade nítida de gente sem talento algum - mas com inegável esperteza gerencial - ganhar muita grana. Tudo tem a sua forma e o seu valor, mesmo que apoiado por um photoshop ou vestuário clubber... Você pode apresentar-me um publicitário vencedor com uma campanha de tênis maravilhosa e um sambista do morro desconhecido que não sabe ler e escrever mas produz lindas canções. Claro que pode. É evidente que eu terei mais assunto com o sambista e de maneira alguma, serei indelicado com o publicitário. Vejo com simpatia os publicitários gaúchos e até aceno com minha mão direita quando os vejo do outro lado da rua. LB - Qual sua relação com a MPB? Onde você qualifica seu trabalho musical? Não sou muito MPB. Meu trabalho é um pouco jurássico pros tempos de hoje porque penso bastante nos arranjos como se estivesse nos anos 60. Principalmente em 67/68. Tenho obsessão pelo Sgt Peppers, The Beatles, Pet Sounds, Beach Boys, Odissey and Oracle, The Zombies. Mas gosto bastante do que faço e mesmo citando só referências de fora, o resultado é bem brasileiro. Não quero soar "gringo", nem "hard-rock", digo isto como quem tenta ter identidade, sutilezas, contornos, matizes e não pretensões de ser fodão da cocada - que é o que todo roqueiro imberbe almeja. Saca aquele negócio "marketing ramone"? Depois de Joey Ramone, Dee-dee Ramone, Johnny Ramone e Marky Ramone nasceu o "Marketing Ramone". Basta usar um uniforme neo-globalizado, ter uma banda punk, vestir-se e tocar igual aos Ramones. Temos uma tupinicagem inata o que é diferente de "macacagem" citada. É muito bom ser Frank Jorge que nasceu no Bom Fim, filho do Mário e da Marlene e sempre teve as suas malditas idéias! LB - Sua obra fala de elementos televisivos, musicais e atuais. Sua obra está embasada no novo conceito de Cultura Pop? O que você acha desta vertente literária? Sou um pobre menino vítima do sistema. - brincadeirinha. Vejo esta pergunta quase como um caminho ou tentativa bacana de interpretação. Sou sim um cara da geração que viu bastante TV, leu quadrinhos, mas principalmente foi muito ao cinema, leu livros pra caramba e tentou desenvolver/criar/gerar coisas novas. Meus textos e canções refletem todo este consumo de Tv, jornal, revista, bandas, vale tudo e este tudo, é o universo "pop". Hoje em dia, um reality show como "The Osbournes" mostra que um ícone do rock mais pesado da face da terra, presumivelmente malígno, pode ser totalmente Jerry Lewis/Peter Sellers no seu cotidiano, ou seja, desastrado/engraçado/leve/(pop)ular. Sob este ponto de visto, Ozzy é um astro pop. Sua filha cantando Madonna passa a ironicamente ser o anti-pop, mas isto já é da alçada da Erika Palomino. Minha vertente literária - sem querer parecer pentelho - é ser livre e para isto o canal é ser meio anti-literário. LB - Você escreve muito? Este é o seu segundo livro, como era o primeiro? Escrevo bastante sim. Segundo as más línguas, o segundo é melhor - o que de maneira alguma me fará odiar o primeiro. Consigo olhar para os dois com uma sensação de que são grandes amigos que posso contar às vezes com a diferença que não me pedirão emprestados cds raros que nunca devolverão. O estilo dos dois é semelhante: textos curtos, algumas crônicas, poemas, poemas em prosa, narrativas curtas, pensamentos, comentários. Os temas brincam com questões específicas deste ou d'aquele contexto, futebol, moda, música, literatura. Pode ter um eventual tom grotesco ou escatológico. Eficiências comprovadas não me interessam muito. LB - Há planos de escrever outro livro? Como estão seus planos nas outras áreas que você trabalha? Estou preparando o primeiro livro oficial de contos para o final de 2002. É um pusta de um desafio. Estou feliz com isto. Quero também lançar até o final do ano o meu 2º cd solo. LB - Se você pudesse fazer um dicionário porto-alegrense, quais os ítens que não poderiam faltar? Porque? O homem do dicionário aqui no sul é o amigo Luís Augusto Fischer. Ele praticamente esgotou este assunto com grande maestria. No meu dicionário particular: Bom Fim, bairro onde nasci, moro e onde fica o Bar Ocidente; Graforréia Xilarmônica, banda que desenvolveu um som muito portoalegrense, universal, maluco e atuei durante uns 14 anos; Luís Fernando Veríssimo, dispensa comentários; Mercado Público, erva-mate, especiárias do interior e calor humano; é por aí... LB - Como está o Rock Gaúcho? Porque existe o rock nacional e o rock gaúcho? Está bem. Anda um pouco mais diversificado. Existe uma influência muito grande por aqui do rock dos anos 60. Bandas como the Beatles, Rolling Stones, The Who, The Kinks seguem influenciando pra caramba a gurizada Cachorro Grande, Gramophones, Hey Buldog, Los Paranoias, Laranja Freak. Tem bandas com influências de música eletrônica como Tom Bloch, Gallaxy Trio. Tem bandas de reggae como Pure Felling, Acústico Reggae. Tem pra tudo o quanto é gosto. Algumas bandas chegam num primeiro time e tornam-se menos criativas do que eram na sua origem, agora... não me peça para explicar fenômeno$ da natureza. Acho que o rock gaúcho se classifica deste modo - "rock gaúcho" - não apenas pela questão geográfica mas por vários fatores: o sotaque, que de certo modo é um sotaque "bonfiniano", o tipo de letras - por vezes ininteligíveis para brasileiros de outros estados - tamanha o uso de gírias locais e termos gauchescos, tipo de sequências de acordes e arranjos, enfim, até os Engenheiros do Hawai, que talvez nem seja visto pelos gaúchos como ícone de banda de rock gaúcho e já teve mil formações com diferentes idéias sonoras, é identificado pelo resto do país como "rock gaúcho", mas isto já é outra entrevista. O Humberto Gessinger é um profissional do showbusiness. Respeito este cara mesmo não conhecendo muito o último estágio dos Engenheiros. Rock nacional é pauta também pra outra entrevista. No momento, a melhor banda de rock nacional e um pouco anti-rock: Los Hermanos. LB - Como está o Graforréia? E seu trabalho solo? A Graforréia segue muito bem obrigado sendo uma das bandas mais pirateadas e a Warner - que detém os direitos do primeiro cd "Coisa de Louco II" - nem se coça pra relançar. A cegueira é grande. O trabalho solo vai muito bem obrigado. O primeiro cd rendeu muita coisa boa: música reagravada pelo Ira, música no filme do Jorge Furtado e outra no filme do Cristiano Zanella, ficou em 6º lugar nos cds nacionais de 2000 pela extinta Showbizz, shows em Goiânia, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e RGS a dentro. O segundo cd solo está a caminho! LB - Quando você vem fazer show aqui no Sudeste? O QUANTO ANTES! O QUANTO ANTES! TEM ALGUMA IDÉIA PRA AGOSTO?!?! AÍ VAI O NÚMERO DO MEU AGENTE: (0-14-51)632-9591 e (051)9978-7449 |
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