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Entrevista: Diego Medina - Vídeo Hits

por Danilo Fantinel*



LONDON BURNING - Quando a banda começou? Você já tocava antes...

DIEGO MEDINA - Eu tocava na Doiseu Mindoisema entre 94 e 96. A música Bomba é dessa época. Quando a banda acabou, comecei a tocar de brincadeira com o Michel (Vontobel), no verão de 97. Formamos o Grupo Musical Jerusalém, sátira àqueles grupos musicais do interior. Era quando ouvíamos muito Pinkerton, do Weezer, cheio de melodias e som pesado ao mesmo tempo. Os shows começaram em 98.

LONDON BURNING - O universo das músicas é do amor singelo, das situações inusitadas, dramáticas. Esse também é o universo da banda ou tudo é pura criação?

DIEGO MEDINA - Acho que vivemos isso. Muitos integrantes da banda tem namoradas fixas. Já passamos da adolescência e da fase da putaria. Fazemos isso com as namoradas (risos). Temos um estilo mais sensível, apaixonado. Não somos mais do tipo que comem todas.

LONDON BURNING - De onde vem a inspiração? Quais as maiores influências?

DIEGO MEDINA - Ah, os anos 60, muito mais que os 80. Jovem Guarda, Renato e Seus Blue Caps, os primeiros dez anos do Roberto Carlos. De fora são bandas como The Kinks, The Who, Beatles, Beach Boys, que valorizam a melodia.

LONDON BURNING - Como surgiram as participações de Ronnie Von e de Gerson King?

DIEGO MEDINA - Quando estávamos gravando a demo no estúdio do Thomas Dreher, ele tocou pra nós um disco de Ronnie Von de 1968, muito psicodélico, muito mais que algumas composições dos Mutantes. Ficamos loucos com aquilo, ouvindo e tocando desde 99. Então resolvemos gravar Silvia. A gravadora fez o contato e ele aceitou participar. E admiramos o Gerson pra caramba, o som dele é incrível. Não acreditamos quando ele aceitou gravar. E foram os dois no mesmo dia: Gerson de manhã e Ronnie de tarde.

LONDON BURNING - A ironia e o humor estão em várias músicas da Vídeo Hits e de várias bandas gaúchas. É a característica principal do rock daqui?

DIEGO MEDINA - Sempre gostaram de humor, de músicas engraçadas, né? Cascavelettes, TNT, Bidê... não sei por quê. Tem que ser muito bom pra escrever algo "sério" sem ser chato. Pra mim é mais fácil fazer músicas bem-humoradas.

LONDON BURNING - O amor, a breguice, a chinelagem em geral são suportes mais fáceis para comunicar, para fazer contato com o público?

DIEGO MEDINA - Até pode ser, mas a gurizada sempre vai gostar de Legião...

LONDON BURNING - Você acha que finalmente o rock gaúcho vai ser assimilado em outras partes do Brasil? Essa é uma promessa formulada há tempos que nunca vai ser realizada?

DIEGO MEDINA - Acho que a época é mais propícia, um momento mais adequado. Em 94 já existia essa idéia de que o rock gaúcho estava para estourar, mas não aconteceu. Hoje as bandas estão mais profissionais e organizadas. É um trabalho que se difere de todos os outros, dos medalhões. Existe um sangue novo, mas não significa que vão estourar. Não consigo imaginar que a Video Hits vá se tornar um medalhão. O bom é que o rock gaúcho é mais inteligente e complicado que o rock de outros lugares do país. Isso vai ajudar a elevar o nível do rock nacional.


*Danilo Fantinel trabalha na Interface, uma HP sobre cultura alternativa de Porto Alegre. Confira em http://www.terra.com.br/interface





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