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Revista eletrônica criada pelos jornalistas Luciano Vianna e Valeria Rossi |
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Yo La Tengo Brasil!
O Yo La Tengo é uma banda calma... formada por Georgia Hubley, Ira Kaplan e James McNew, estão no Brasil para uma turnê por algumas cidades e farão show em São Paulo dia 14 e 15 de Fevereiro. Fazem um som intimista com qualidade, revezando os vocais entre os integrantes. Se você não conhece a banda, aí está uma ótima oportunidade para se familiarizar com um dos melhores grupos de rock da atualidade. Com 15 anos de estrada, o Yo La Tengo manda bem quando é tosco, com suas influências punks ou elaborados, quando mesclam com outras vertentes musicais. Esta entrevista aconteceu em São Paulo, dia 12 de Fevereiro. LONDON BURNING - Como foram os shows de Maringá e Rio de Janeiro? Ira Kaplan: Fizemos um ótimo show em Maringá, as pessoas cantavam (ou tentaram cantar) todas as músicas... Já no Rio, foi o primeiro show, serviu de aquecimento, não foi tão legal... LONDON BURNING - O que vocês esperam do show de São Paulo? Ira: Ainda não sabemos o que vamos fazer... os nossos shows normalmente são apresentados com músicas diferentes, faremos dois shows diferentes e não duas vezes o mesmo show. LONDON BURNING - O que vocês conhecem de música brasileira? Ira: Não conhecemos muita coisa... Mutantes, Gil. Mas temos interesse! Estavamos aqui na loja (n.a.: Saraiva Megastore) e nos interessamos por alguma coisa do Quarteto em Cy, Tom Jobim e Noel Rosa. James McNew: Conhecemos um pouco do movimento Tropicalia e Gal Costa, mas não muito. Conhecemos alguma coisa de futebol. James - Há algum jogador de futebol que já gravou um cd? LONDON BURNING - Já... James - E ficou legal? LONDON BURNING - Não. (risos) LONDON BURNING - Para quem não conhece o Yo La Tengo e quer ir ao show, quais álbuns vocês recomendam? Georgia Hubley - "Painful", comece pelo Painful... e também "I Can Hear The Heart Beating As One". LONDON BURNING - Em algumas músicas, sentimos influências de bossa nova e músicas dos anos 60, elas acontecem mesmo? James: Gostamos de todos estes tipos de música, então fica difícil dizer... Mas, bossa nova é complicado por que a gente não conhece muito do estilo... talvéz por que programamos no Casio (n.a.: teclado) e lá existe a tecla Bossa Nova ... (risos) Ira: Todos conhecem "Garota de Ipanema", acho que é uma informação que se pega no ar, sem precisar pesquisar. LONDON BURNING - E sobre as influências country que alguns dizem haver em "I can hear the heart beating as one"? Ira: Talvez porque abrimos para o Johnny Cash - e foi muito legal, essa fama de country aconteceu... Mas não tem nada à ver com gracar com Lambchop ou no Mexico. Gostamos de country, mas gravar em Nashville foi consequencia. Nosso produtor, Roger, achou mais sossegado, mais confortável. Esta pergunta é muito comum... é a segunda vez que vamos à Nashville, há a familiaridade com os convidados, mas não tem nada à ver... LONDON BURNING - Sobre o Napster... James: Temos várias opiniões... não sou muito familiarizado com o computador, se acabassem com isso eu não sentiria muita falta... Muitas pessoas gravam tapes de shows, rolam fitas, direitos autorais, piratarias, existem à muito tempo e o Napster é so outro tipo de pirataria em ação hoje. Georgia: Só sinto pelos covers que fazemos nos shows... antes eram surpresas, hoje todos cantam os covers e todos podem ver na internet como foi nosso show ontem. Ira: Mas, ao mesmo tempo fica fácil para conhecermos bandas novas, é um modo legal de divulgação. LONDON BURNING - E o que vocês andam ouvindo hoje em dia? James: Hoje de manhã, pode ser? Georgia: A trilha sonora de um filme japones, "Doctor Ganza"... Ira: Não me lembro o nome do rapaz, mas escutei de manhã um compositor de música clássico grego, que por sinal morreu hoje, na rádio estavam fazendo um tributo à ele. LONDON BURNING - O que vocês esperavam do Brasil? Georgia: No Rio, a cidade parece diferente do que conheciamos por TV, revistas... mudou um pouco... nós já conhecíamos um pouco... James: Quente, pensamos que estaria mais quente Ira: Sempre ficamos felizes por conhecer lugares diferentes, mas na maioria das vezes não há tempo para isso... Em Maringá, por exemplo, chegamos no aeroporto, fomos ao clube e voltamos... Estamos trabalhando, fazendo turnê, saimos de lugares sem ter a oportunidade de conhecer o país. Hoje por exemplo, estamos aqui, depois vamos gravar um programa de rádio (n.r.: Garagem, na Brasil 2000), mas enfim, este é o nosso trabalho e gostamos demais do que fazemos. LONDON BURNING - James e Ira eram críticos musicais antes de ingressar no Yo La Tengo? Como foi esta experiência? James: Era muito mais diversão, escrevia fanzines, era muito legal escrever apenas do que eu gostava. A transformação de crítico para músico foi muito legal! É bem melhor estar deste lado! Ira: Meu trabalho foi bem parecido com o do James, fazia fanzines por diversão. LONDON BURNING - Como surgiu o nome Yo La Tengo? Ira: Não significa nada em inglês... Gostamos do jeito que esta palavra "soa" ... Colocar um nome em inglês ficaria muito manjado, o intúito é mesmo fazer as pessoas pensarem no que a banda significa. A sonoridade do nome é importante. LONDON BURNING - Sobre as bandas novas brasileiras, que são influênciadas pelo som do Yo La Tengo, vocês tem curiosidade de escutar? James: Quem abriu nosso show no Rio foi o Pelvs, não? Eles são bons, mas eu prefiro escutar bandas que não são influênciadas. Não gosto do rótulo "alternativo" para bandas novas, podem significar Belle and Sebastian ou Limp Bizquit e aí fica difícil... |
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